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Michael Ruman

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Invasores de marte: As aventuras de Joaquim e Eduardo
by Michael Ruman   
Books by Michael Ruman
· Invaders from Mars: The adventures of Joaquim and Eduardo
· Invasores de Marte: Las aventuras de Joaquim y Eduardo    >> View all

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Kindle Edition
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Michael Ruman

Category:  Fantasy
Publisher: Smashwords

Type: Fiction

Pages: 411

Price: $2.99 (eBook)


As aventuras de Joaquim e Eduardo narra a trajetória de dois amigos de 11 anos de idade, que vivem se metendo em encrencas, geralmente causadas por Joaquim, o mais impetuoso da dupla. Cabe a Eduardo a tarefa de bolar planos para salvá-los das confusões, e não pensem que são poucas!

 Varinha mágica? Nah, ele não precisa. Coisa de marica.

Pode voar? Só quando leva um chute forte no traseiro.

Armas especiais? Super bomba aniquiladora com cheiro de peido.

Sabe alguma mágica? Ganhou o Kit de mágicas, mas não conseguiu realizar nenhuma.

Roupas especiais? Só seu uniforme da escola.

Faz parte de algum time de super heróis? Bom, tem seus amigos da escola.

Combate que tipo de criminosos? Marcianos… Eles estão disfarçados de humanos e estão entre nós. Querem conquistar a Terra, mas ele não vai deixar. Junto com seu melhor amigo, Eduardo, vai dar um belo chute na bunda dos invasores, sem dó!

 


     



Excerpt

Meu nome é Joaquim, tenho 11 anos de idade e a história que vou contar é verdadeira.
Aconteceu no último domingo. Eu não tinha nada pra fazer, então resolvi ir até o lago, que fica próximo ao colégio interno onde estudo. Meus amigos e eu sempre nos encontramos ali nos fins de semana, quer dizer, quando não está muito frio nem chovendo. Costumamos nadar horas a fio e, quando nos cansamos, vamos explorar a mata que fica do outro lado da margem e se estende até a encosta da montanha. Nessa época do ano, o lugar fica praticamente vazio e as pessoas só dão as caras para fazer piquenique, jogar conversa fora ou simplesmente andar de um lado para o outro. Entrar na água gelada é pedir pra virar picolé. Confesso que, às vezes, até gosto de me jogar no lago, só de farra, para sentir o corpo inteiro quase congelar, e então sair e gritar feito um louco! Mas aí eu vou ter problemas sérios, caso minha mãe descubra minha molecagem e acreditem, ela tem um sexto, um sétimo e um oitavo sentidos para saber que eu menti ou fiz alguma travessura. Você vai se resfriar, ela diz. Se isso acontecer, vai ficar de castigo! Argh! Desde quando água fria faz a gente pegar resfriado, hein? Os adultos têm cada história! De qualquer maneira, naquele dia eu não tinha intenção de molhar nem os tornozelos. Para fugir do tédio, um simples passeio de ida e volta ao lago seria suficiente. Eu tinha esperança de encontrar algum amigo que, como eu, estivesse à toa por ali. Podíamos brincar de pega-pega, esconde-esconde ou jogar bola.
Esperei. Ninguém deu as caras. Os bobos deviam estar encolhidos em suas camas, cobertos até o pescoço, tremendo de frio! Azar deles, vou brincar sozinho!
Depois de correr pra lá e pra cá, procurar tesouros perdidos debaixo das pedras e cavar trincheiras para me defender de piratas, cansei e encostei numa árvore para reler “Um Capitão aos quinze anos”, um dos meus livros preferidos do Júlio Verne. Apesar de já saber como a história termina, eu sempre me divirto com as aventuras de Ricardo Sand, que, com apenas 15 anos, foi obrigado a comandar um navio chamado Pilgrim, depois que o capitão morreu. Estava quase na metade, quando ouvi um ruído estranho, um zumbido contínuo, seguido de um baque bem grave. Saí do meu refúgio e olhei em volta, tentando localizar a fonte daquele som, quando notei uma luz avermelhada no meio da mata. Imediatamente agarrei minha mochila e corri para o outro lado da margem, depois, andei por mais uns 100 metros até alcançar a clareira, bem na metade do caminho que leva à encosta da montanha. Esse local é muito utilizado por grupos de jovens que vêm acampar, e imaginei que poderia ter havido algum acidente, como um bujão de gás que explodiu e coisas assim, que explicariam o estrondo e o clarão. Não havia ninguém, e minha teoria foi por água abaixo.
Pensei, pensei e pensei mais um pouco… Aí encontrei outra explicação: um teco-teco fora de rota. Isso mesmo! A neblina densa que se forma nessa época do ano confundiu o piloto, que deu voltas e mais voltas, acabou sem combustível e precisou fazer uma aterrissagem de emergência. Sendo assim, melhor fazer uma busca, localizar os destroços e ajudar os sobreviventes, decidi.
Atravessei a clareira até outra porção de mata e andei por mais uns 30 ou 40 metros, quando senti que alguém me observava.
Parei, olhei para os lados e me arrepiei todo quando ouvi passos.
— Quem está aí? — perguntei, torcendo para ninguém responder.
Silêncio.
A minha reação foi uma mistura de alívio e apreensão. Não ter obtido resposta não significava necessariamente estar sozinho, certo? Se eu fosse o piloto do avião acidentado, com certeza, daria sinal de vida, por outro lado, uma fera à espera de sua presa, não!
Brrrrr!
Não sou covarde, então, avancei. Já havia caminhado tanto, não custava nada seguir mais um pouco e descobrir o que foi que causou aquele som e luz tão estranhos.
Valeu a pena ser insistente. Quando estava perto da encosta, avistei três homens em atitude suspeita. Ao me aproximar, notei que carregavam um objeto metálico, um cilindro reluzente, com um metro e tanto de comprimento. Eles estavam parados à frente da encosta e, a não ser que tivessem intenção de escalar, não tinham para onde ir. Me escondi atrás de um arbusto, caso dessem meia-volta para retomar o caminho da clareira. Não foi o que fizeram. Um deles, que tinha os cabelos brancos, foi até uma pedra muito grande e arredondada, deu a volta e mexeu em alguma coisa que fez um buraco se abrir na parede, bem à sua frente. Então levaram o cilindro para o interior da montanha. Movido pela curiosidade, fui atrás. Apesar do túnel ser estreito e escuro, decidi não acender minha lanterna pra não chamar a atenção, por isso, precisei ter cuidado redobrado pra não escorregar e me machucar, me perder em algum labirinto, ou pior… Pisar em alguma barata. Odeio baratas! Elas são feitas de casca recheada de gosma nojenta, que se espalha pelo chão quando você pisa.
Irgh!
Não vi nenhuma, é verdade, mas só de pensar na possibilidade de uma delas subir pela minha perna, irgh! Para não correr riscos, segui caminho usando a tática de andar em lugares escuros onde possa haver baratas: a cada passo, a perna bem levantada, depois a outra, e assim por diante, como se fosse um soldado russo marchando. Isso me fez perder terreno, mas depois apertei o passo e consegui alcançá-los. Por pouco não fui pego: quando dobrei uma curva, dei de cara com o trio… Aliás, com as costas deles. Só não me viram porque examinavam uma parede de pedra que fechava o caminho. Era um beco sem saída. Quando achei que iam desistir, o homem de cabelos brancos tirou um pequeno objeto preto do bolso do paletó e o encaixou numa fresta da parede. Num piscar de olhos, uma nova passagem se abriu, e eles prosseguiram. Deixei que se afastassem e me esgueirei pela abertura, que dava numa grande caverna. Enquanto eu procurava um lugar seguro pra me esconder, os três levaram o cilindro até uma plataforma de granito e o colocaram sobre ela. Feito isso, abriram uma mala e dela puxaram vários fios coloridos. Esticavam e grudavam um por um, na carcaça do objeto. À medida que meus olhos se acostumavam com a luz fraca, minha atenção se voltou para o lugar incrível em que eu me encontrava. Fiquei admirado pelas enormes estátuas dispostas por toda a extensão das paredes, formando um semicírculo em torno da plataforma onde os homens trabalhavam.
Brrrrr!
Mais um arrepio pelo corpo todo. Os olhos daqueles gigantes de pedra estavam todos voltados para o centro, como se vigiassem o lugar e soubessem tudo o que acontecia por ali. Um olhar fixo e assustador. Suas roupas eram similares às usadas por sacerdotes que vi em ilustrações dos livros de História. Seriam fenícios? Nosso professor contou que eles estiveram na região há muitos e muitos anos. Aqui poderia ser um dos seus templos, concluí. Um pensamento ruim veio à minha cabeça: quem profana um local sagrado, não é punido por isso? Eu li que muitos exploradores morreram misteriosamente depois de invadir as pirâmides e túmulos dos faraós. Será que, ao abrir a passagem, algum vírus mortal foi liberado e fomos condenados a morrer lentamente? Só me faltava essa: ser envenenado por minha própria curiosidade! Droga, já estava vendo a bronca que ia levar da minha mãe, caso ficasse doente! Como explicar que a culpa não foi minha e sim deles? Eu só estava espionando!
Demorou um pouco para tirar isso da cabeça e me concentrar na missão: investigar o que aqueles sujeitos estavam tramando. Enquanto os outros dois mexiam nos instrumentos que conectaram aos fios que há pouco grudaram no cilindro, o homem de cabelos brancos pegou um livro com a capa brilhante e o abriu. Mas que raio de livro era aquele?, pensei, que, no lugar de papel, tinha uma superfície iluminada de um dos lados e teclas do outro? Não sou burro, logo percebi que se tratava de uma linda e moderna máquina de escrever. Conforme ele teclava, surgiam pelo vidro os mais diversos textos, símbolos e desenhos coloridos. Quem me dera ter uma dessas! Remington, Hermes ou Royal, qual dessas empresas teria adotado uma maçã como símbolo?
Quando terminou de usar a máquina, o homem fez algumas anotações num caderninho, depois guardou tudo dentro da mala e sinalizou para os outros. Em poucos segundos, eles estavam prontos para ir embora. Abandonei meu esconderijo, de fininho, antes que me vissem. Saí da caverna, segui pelo túnel escuro e, já do lado de fora, dei um pinote até um arbusto, onde esperei os três darem as caras. Mais uma vez, o de cabelos brancos deu a volta na pedra e acionou o mecanismo que fez a passagem secreta se fechar. Logo depois, abandonaram o lugar.
Esperei um pouco, para ter certeza de que não voltariam, então corri até a pedra para procurar o botão ou seja o que for que ele tenha usado. Nada, droga! Como ele fez aquilo?
A única coisa que encontrei foi um monte de baratas.
Argh! Queria tanto explorar aquele lugar fascinante, mas como? Até tentei usar um galho para fazer uma alavanca, mas não havia frestas na parede.
Nada, nadinha!
Pensei, pensei… Droga, mil vezes, droga! Aquele cilindro não me saía da cabeça. Era pesado, disso eu tenho certeza! Vi o esforço que faziam para carregá-lo. Será que no seu interior havia um tesouro? Prata, ouro, joias! Se fosse verdade, por que eles não o abriram e pronto? Só se… Como não pensei nisso antes? Uma bomba! Será que eles encontraram uma bomba da segunda guerra e tentavam desarmá-la? Ou… Pretendiam ativá-la para destruir alguma base secreta em Colombo? Base secreta, uma pinoia! Aqui não tem nada para destruir, só o colégio interno. Aaaah! Eles não seriam tão idiotas. Estavam interessados no que havia dentro daquele objeto prateado, eu tinha certeza disso.
Mas o quê?
Pensei, pensei e pensei…
Precisava obter respostas, mas já começava a anoitecer e existem coisas com as quais até um explorador destemido como eu tem que se preocupar: chegar atrasado para o jantar é uma delas. Se isso acontecesse, o bedel da escola iria me dedurar para o diretor, que telefonaria para minha mãe, que, na primeira oportunidade, me daria um corretivo!
Grrrr! Será que ninguém entende que os desvendadores de mistérios não podem ter um horário tão rígido? Nós temos direitos!
Hummm… Lembrei do boletim. Talvez fosse melhor esquecer os direitos dos grandes desbravadores, por um tempinho. Esse não foi um mês do qual eu possa me orgulhar, por causa daquela… Daquelas duas… Três notas vermelhas!
Argh, boletim!
Nada mais podia ser feito, dei meia-volta.
No meio do caminho, mais uma vez tive a sensação de que alguém me seguia. Por um instante, pensei que os homens tivessem voltado, mas quando ouvi o rosnado descartei a possibilidade.
O terceiro arrepio de hoje! Calma, Joaquim. Você precisa diminuir o passo e respirar com tranquilidade, tentei me convencer. Li em algum lugar que os predadores são atraídos pelo cheiro do medo das presas e, quando isso acontece, sabem que é hora de atacar! Sei lá se isso tem mesmo cheiro, mas no meu caso iriam sentir é um fedor de medo! Um passo depois do outro. Muita calma… Respiração leve… Devagar… Devagar… Bem suave, sem medo, sem…
O rugido do animal sanguinário me fez sair em disparada. Calma, porcaria nenhuma! Na hora do aperto, não interessa o que está escrito nos livros ou o que as pessoas dizem… Tem que se pirulitar e não olhar pra trás!
Quando finalmente cheguei à beira do lago, parei pra tomar fôlego. Foi quando surgiu do meio das folhagens a criatura mais medonha, horrível e nojenta que eu já tinha visto em toda a minha vida! Não era uma jaguatirica nem onça pintada, também não se parecia com nenhum animal conhecido nessa região. Tinha forma humana, mas seu corpo era escuro, a pele esverdeada, com escamas e coberta de uma meleca amarelada que parecia catarro! Os olhos eram vermelhos e os dentes, de tão grandes, se projetavam da mandíbula. Meu coração disparou e minhas pernas ficaram bambas, mas eu sabia que precisava reunir força e coragem para fugir ou seria feito em pedaços.
Recuei.
Dei dois passos para trás. Ele avançou na mesma proporção. Olhei pros lados, buscando uma rota de fuga, mas, antes que eu tentasse alguma coisa, ele pulou na minha frente e cortou meu caminho. Deu a entender que estava brincando comigo, mostrando que eu era uma presa fácil e, quando quisesse, me mataria! A seguir, o mais incrível aconteceu: ele sorriu e fez sinal com o dedo, para que eu me aproximasse.
Podem me chamar de louco, mas do jeito que me olhava, era como se me conhecesse! Então abriu a boca e rugiu… Uma, duas, três vezes! Juro que ouvi meu nome, Joaquim. Gritei feito louco e dei no pé o mais rápido que pude. Peguei a estradinha de terra e só parei de correr quando cheguei à escola, no alto da montanha. Podem me chamar de covarde, mas vai levar muito tempo até eu criar coragem para voltar sozinho ao lago!


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