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Cristina Pereyra

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Amando o Inimigo
by Cristina Pereyra   

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Kindle Edition
Download from Smashwords (eBook)
Amazon

Category:  Romance
Publisher: CreateSpace Independent Publishing Platform

ISBN-10:  1466295694

Type: Fiction

Pages: 242

Copyright: 
Sep 9, 2011
ISBN-13: 9781466295698


Eles estavam de lados opostos, mas tinham o mesmo objetivo: sobreviver.

Malvinas, 1982
Quando os canhões se calaram...

July tinha um único objetivo na vida: salvar sua fazenda. A morte de seu pai a deixara sozinha com as terras hipotecadas e um minguado rebanho para cuidar. Porém o destino exigiu dela muito mais do que pensava ser capaz de oferecer a outra pessoa. Quando ela encontrou um soldado argentino à beira da morte em suas terras, July não hesitou: salvou-lhe a vida. O que ela não imaginava era o alto preço que pagaria por isso. Agora a vida dos dois está em risco... e também seus corações e suas crenças.



Excerpt

ENQUANTO ESQUENTAVA a água para o chá, July se aproximou da janela. O céu tinha nuvens brancas, o que significava que pela manhã não haveria chuva. Isso era bom, precisava conferir as cercas. Os vizinhos não se importavam se suas ovelhas se misturavam às deles, na tosquia os animais eram separados honestamente e seus pastos eram suficientemente grandes para que não tivessem perdas se seus poucos animais comiam ali também. Mas para ela era mais conveniente ter seus animais nas suas terras, saber quantos tinha.
Inspirou profundamente. Seu rebanho contava hoje com pouco mais de meia centena de animais. Pouco. Se continuava assim não conseguiria manter a propriedade que herdara de seu pai. Tinha que conseguir arranjar dinheiro de outra maneira até que o rebanho se recuperasse. Ainda que não sabia o que poderia fazer, estava certa de que descobriria logo. Era isso ou entregar as terras ao banco. Não havia escolha.
Observou o campo que teimosamente pintava de verde aquela terra hostil. Terra hostil que havia expulsado sua mãe. Depois de dois anos vivendo ali, ela voltara à Inglaterra, deixando para trás o marido e a filha. Nunca mais voltou. July e seu pai ficaram e seguiram em frente com a fazenda de ovelhas. Apesar de ter nascido na Inglaterra, July não tinha nenhuma lembrança de lá, pois tinha somente um ano e meio quando seus pais tinham partido para o Atlântico Sul sonhando em fazer fortuna. O sonho se despedaçou e sua mãe não ficou para juntar os cacos. Como os ratos que abandonam o navio quando este começa a afundar, sua mãe partiu sem olhar para trás.
Nesses vinte anos July nunca teve vontade de procurá-la. Sempre havia agido como se ela estivesse morta. Tampouco sua mãe tinha lhe procurado, mandado um cartão de Natal ou aniversário. Mas agora, sozinha e em dificuldades, às vezes July se perguntava se não seria momento de exigir seus direitos de filha, de buscar uma nova vida.
Fazia quase um ano que seu pai havia morrido. Era o único parente que ela conhecia. O único que vivia na ilha. É verdade que July tinha amigos ali, a maioria pessoas da mesma idade de seu pai o mais velhas, mas seus amigos. Pessoas que gostavam dela como se fosse uma filha, que lhe ajudavam em tudo, mas que futuro teria ali? Nenhum se não conseguisse dinheiro de alguma maneira para pagar o banco. Devia isso a seu pai. Talvez vendesse as terras e deixasse a ilha, mas não as perderia para o banco. Isso havia prometido a seu pai e cumpriria. Ou morreria tentando.
A água cantando na chaleira a trouxe de volta à realidade das coisas práticas. Não podia desperdiçar seu tempo com devaneios, precisava trabalhar. Preparou o chá e torrou várias fatias de pão, algumas para comer agora, outras para levar ao campo. Tomaria um café da manhã reforçado pois queria ficar trabalhando no campo até a tarde. Enquanto passava doce em uma torrada olhou para o cão que estava sentado em frente da porta.
– Passaremos todo o dia no campo, Nick, o que acha?
O enorme cão branco colocou a cabeça de lado como se estivesse analisando a questão, o que a fez rir. Nick tinha esse costume de inclinar a cabeça sempre que seu pai ou ela falavam com ele. Ganharam ele ainda filhote de Mark Donald, que tinha terras na ilha Leste e costumava via à Oeste para comprar lã. Mais que criador, Donald era comerciante. Talvez o mais importante das ilhas e com o qual seu pai havia negociado todos os anos. Nick era um pastor húngaro e havia sido muito útil com as ovelhas, além de ser uma companhia na sua vida agora tão solitária.
July se levantou, guardou as torradas que sobraram em um saco plástico que em seguida colocou numa bolsa de lona, pegou a garrafa térmica com chá e também a pôs na bolsa. Nick se levantou ao ver que ela se aproximava da porta com a bolsa pendurada no ombro.
– Vamos – disse July e segurou a porta para que o cão passasse =, que hoje temos um trabalho que te agradará mais que o do jardim de ervas ou da horta. Iremos ao campo.
O cão pulava ao redor de sua dona que foi para o galpão. "Uma pintura faria milagres aqui", pensou July, "Assim como na casa". Mas tinta era um luxo que não podia se permitir nesse momento, mesmo que se fosse vender a propriedade, uma camada de tinta aumentaria o preço. Pegou uma manta e se aproximou do cavalo.
– Bom dia, Roy – saudou ela acariciando-lhe o pescoço -, hoje vamos ao campo. Está um dia agradável, mas não é um passeio, vamos para trabalhar.
July pôs a manta nas costas de Roy e foi atrás dos arreios. Assim que terminou com Roy, pegou um martelo e pregos, os guardou na bolsa, montou no cavalo e saiu. Nick corria ao lado de Roy no campo. July gostava de cavalgar, mas agora percorrer suas terras não lhe trazia alegria. Tudo que via era desolação. Por um momento pensou que era assim que sua mãe deveria ter visto aquele lugar. Ela não ficara o bastante para ver o que o marido construiu ali, para conhecer os bons tempos da fazenda. Tudo que ela havia visto era o mesmo que July via agora: desolação.
– Veja, Nick! – falou ela ao fazer Roy parar. – Traga elas para cá e vou fechar o buraco da cerca.
O cão correu até as ovelhas que estavam do outro lado da cerca e fez seu trabalho de pastor, trazendo-as para o lado de cá. July havia desmontado, prendeu Roy à cerca e tirou o martelo e os pregos da bolsa. Assim que as ovelhas passaram ela foi até o buraco para prender novamente a tábua que havia caído. Terminado o conserto, montou e seguiu percorrendo a cerca atrás de outros buracos. Encontrou mais cinco pequenos, que não permitiriam que uma ovelha adulta passasse, mas se não os arrumasse, só aumentariam. Além disso, em um mês haveriam cordeiros, e esses passariam ali.
Enquanto arrumava a cerca, Nick correu para a praia procurando pinguins. Era uma das coisa que seu cão mais gostava: correr atrás dos pinguins. Ainda que pudesse correr muito mais rápido que eles, o que ele gostava era de assustá-los. Os perseguia bem de perto, mas nunca havia nem sequer mordido um. Para Nick era tão somente uma brincadeira. Em outros tempos, ela teria se divertido observando o cão na praia, mas agora no podia se permitir uma distração. E também nem tinha vontade de se distrair. Toda sua atenção estava em como poderia manter a fazenda.
Quando Nick começou a latir agressivamente July ergueu os olhos e viu ele correndo na direção das rochas. Seu coração começou a bater descompassadamente. Nick costumava latir daquela maneira quando algum desconhecido se aproximava. Não era assim que latia para os pinguins. Com certeza alguém se aproximava. Ela se recriminou por não ter trazido a arma de seu pai.
Nick continuou se afastando até parar perto de uma moita. July o havia seguido com os olhos. O cão continuava latindo. Ela fixou o olhar na direção da moita e percebeu um vulto escuro meio escondido ali. Um pinguim? Talvez fosse, apesar de que à distância parecia ter o tamanho de uma pessoa.
Nick parou de latir, aproximou-se ao vulto e o farejou. Então sentou, ergueu a cabeça para o céu e uivou. Exatamente da mesma maneira que fazia quando encontrava uma ovelha ferida. Fosse o que fosse, estava vivo. E ferido. Sem pensar nos riscos July correu na direção do cão.
Estancou ao olhar o vulto caído na moita.
Seu coração saltou e ela perdeu o fôlego.
Um homem.
Um soldado.
Um argentino.



Professional Reviews

Amando ao Inimigo
By Flavia Machado
Format:Kindle Edition|Amazon Verified Purchase
Muito bom livro, daqueles que vc le de uma so vez. A escritora soube passar sua mensagem com sutileza e realismo.



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